terça-feira, 12 de agosto de 2008

AVISTAMOS ALTO PARAISO... E PARAMOS PARA O ALMOÇO


Bem, já havíamos almoçado e estava na hora de retornarmos à estrada, pois estava previsto nossa chegada em Goiânia no início da noite.


Depois de um bom trecho percorrido na BR 181, estávamos em Alto Paraíso, e tínhamos que fazer uma parada para o almoço, pois até chegarmos em Goiânia, teríamos ainda muita estrada pela frente.Todo o nosso grupo aproveitou a hora do almoço para descansar.


No momento que o nosso ônibus parou no restaurante em uma das entradas de acesso a Alto Paraíso, não resisti, atravessei a pista e fotografei a placa que indicava o caminho de onde estávamos vindo. Senti um nó na garganta, pois a emoção foi muito forte. Veio na lembrança os dias em que convivemos, com a comunidade kalunga. Um verdadeiro paraíso que sempre nos traz lembranças agradáveis.


Estavamos chegando a Alto Paraíso, a chamada cidade dos místicos. Acredito tem muito sentido, pois a energia que emana é algo indescritível.

NA BR 181 CRUZAMOS COM UM CAMIMNHÃO RETORNANDO DA FESTA


Haviamos percorrido já uns 50 km, desde nossa saída, quando cruzamos com um caminhão voltando da festa trazendo kalungas de outras comunidades, pois existem muitos que moram em centros urbanos. Logo estaremos avistando Alto Praíso

MANHA DE SEGUNDA FEIRA....


Depois de três dias de festas e de muito trabalho - se bem que estava só começando -, chegamos na Br 181, onde o onibus que nos conduziria de volta já estava nos esperando.

AS DIFICULDADES ESTÃO SENDO AOS POUCOS SUPERADAS


Existe uma mobilização do estado nesses eventos. Guarnições do Corpo de Bombeiros, com equipe de salvamento e primeiros socorros, barracas médicas e apoio também do Exército que fez acampamento próximo do rio Paranã.

Agora a camionete, está chegando via balsa ao local da festa. Não podia faltar é claro uma churrasqueira, já desembarcada e outros produtos que devem abastecer a festa.

A balsa é um dos meios facilitadores de acesso as comunidades. O veículos, mesmo com tração 4x4, não conseguem chegar em alguns locais em função da geografia do solo ser bem irregular.Na foto a camionete esta chegando na balsa. As fotos foram cortesia do amigo Ulisses da RBC-Goiás-

OUTROS JÁ PREFEREM SE DIVERTIR DE OUTRAS MANEIRAS...

- foto Ulisses-
Outras opções de divertimento, também acontecem nas festas da comunidade. Na foto, jovens kalungas, se divertindo em mesas de bilhar. Um oportunidade que não é comum na comunidade, somente nas festas onde muitas coisas chegam até eles vindas das cidades vizinhas.

MUITA DANÇA AO SOM DO FORRÓ...

- foto Ulisses -
Depois das comemorações tradicionais de coroação do Imperador e da Rainha, a comunidade se reune para dar continuidade às comemorações, ao som do Fórro e muita dança. Que inicia no final da tarde e se prolonga pela madrugada adentro.

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

INCORPORAÇÃO DOS COSTUMES RELIGIOSOS


A tradicional coroação da Rainha e do Imperador e a procissão saindo da capela não perderam a força. É a genuina incorporação dos costumes religiosos dos brancos da época colonial - os jesuitas - à cultura africana herdada pelo kalungas.
Na foto, o "rezador" fazendo as orações com uma mistura de dialeto africano e latin. Isto, em louvar a N.S. da Abadia e homenageando e pedindo proteção ao novo Imperador e a Rainha.

O MOMENTO MAIS BONITO E DE MAIOR SIGNIFICADO


Esta é a cena mais esperada na festa. a saída do Imperador e da Rainha, pela sua importância histórica e política entre os kalungas, estes escolhidos serão responsáveis durante um ano todo, pela comunidade de Vão de Almas. Serão eles que representarão os demais membros da comunidade, uma espécie de Prefeito. Todo o ano, na festa de Nossa Senhora de Abadia - que acontece sempre no mês de agosto -, realiza-se a escolha de um novo Imperador.Eles também são os anfitriões da festa que tem duração de 3 dias. São festas tradicionais que devem ser preservadas em toda a sua essência, fazendo prevalecer o desejo dos mais antigos.
São momentos raros e mágicos em que a realidade se confunde com a a história

MUITA POEIRA E ALEGRIA...


O enorme pátio entre a capela e a casa do Imperador, ficou pequena para as crianças.
Pel poeira, da pra se ter uma idéia de quantas pessoas estavam correndo com a Farra do Boi.

AINDA A FARRA DO BOI.....


Mais uma performance de Fran, com a Farra do Boi.

A DIVERSÃO DA CRIANÇADA SE ESTENDEU ATÉ O FINAL DA TARDE....


Fran, como carinhosamente a chamamos comandou mais uma atração, junto com a Maria Retalho, do Teatro de Cordel, levando a criançada ao delírio com a Farra do Boi. A brincadeira foi tão contagiante que sensibilizou também os adultos.

sábado, 9 de agosto de 2008

TEATRO DE CORDEL DE MARIA RETALHO, É ATRAÇÃO ENTRE AS CRIANÇAS


As atividades culturais com as crianças, continuaram com o teatro de marionetes da trupe de MARIA RETALHO,- foto acima, barraca onde estavam alojados o pessoal do teatro de Cordel, com um boneco na frente chamando a atenção das criançs e abaixo com o palco das marionetes pronto - pessoas maravilhosa que não medem esforço para interargir com essas crianças. Fazem esse trabalho com muito amor e devoção a arte, a doação à esssa crianças.

Na foto, podemos perceber claramente a satisfação de crianças e mães, atentos ao espetáculo ce cultura popular.

FIZEMOS A NOSSA PARTE.....


Um grupo de nossa equipe, mais alguns alunos voluntários e pessoas ligadas a comunidade kalunga, se organizaram e transformaram o domingo das crianças, num enorme pátio recreativo, com atividades educativas e jogos e brincadeiras. temos certeza que tornamos esse dia para aquelas crianças mais feliz.

FESTA DE NOSSA SENHORA DE ABADIA ( dados de arquivo da produção)


As comemorações kalungas da festa de Nossa Senhora de Abadia, sempre presente as rezas e depois a reunião da comunidade no pátio em frente a capéla.

sexta-feira, 1 de agosto de 2008

ESTAVAMOS NOS PREPARANDO PARA A FESTA


Nessa barraca que aparece em primeiro plano, fizemos a nossa refeição a base de peixe frito. Um peixe de água doce, muito parecido com a sardinha, e de um sabor muito gostoso.

ENTRAMOS PARA UM CAFÉ....


Uma das qualidades do kalungas é a alegria que tem em receber visitas em suas casas.
Fomos convidados para tomar um café, e deparamos com um fogão a lenha, e algumas panelas no fogo, o significava que estavam preparando seu almoço. Essas casas, costumam ser transitórias pois somente são ocupadas em épocas de festas.

NOSSA HISTÓRIA CONTINUA...


Os quilombolas, aprenderam, com a terra. Começaram a observar o melhor tempo para plantar, colher, a reconhecer a boa madeira para fazer embarcações, móveis ou casinhas de pau a pique. -foto -.
A verdade é que na terra e na memória dos descendentes de escravos, existe uma cultura que o país ainda desconhece. E os mais antigos, querem que suas tradições sejam mantidas.

ESTE É UM CENÁRIO NATURAL DA CHAPADA


Quem se acostumou e se ambientou com o sertão goiano, vencendo as dificuldades do caminho e as condições precárias que o ambiente sempre sofreu. Aprendemos a conhecer e admirar a natureza e a utilizar os seus recursos disponíveis para reaprender a vida. Isto se chama kalunga o que na língua banto também significa lugar sagrado, de proteção. É só olhar a foto e perceber.

CONTINUANDO NOSSA HISTÓRIA...


A capela de Vãos das Almas, em dois momentos, em 2006, quando estivemos na festa.

Esta foto já mostra a capela quase totalmente reconstruída, a esquerda da foto, nota-se ainda entulhos da antiga construção. Com a aproximação da festa de Nossa Senhora da Abadia, com certeza a nova capela do povoado estará recebendo suas rezas e a realização dos casamentos da região que também acontece nessas datas- foto abaixo-.

ROTA DA MIGRAÇÃO DOS ESCRAVOS PARA O BRASIL


Temos recebido muitas perguntas sobre qual foi a região migratória da comunidade kalunga. Estudos indicam ter sido através da migração pela Bahia, oriundos do Congo,Gabão,Camarões e Guiné Equatorial. Mas, outros apontam a Gambia, pois a população originalmente formada, ou seja, remanescentes dos escravos que fugiram do cativeiro, chegaram ao norte da região de Goiás. Fala-se que utilizavam a trilha do sal, pois eram refugiados dos trabalhos escravos das salinas, estes seguiam o curso do Rio Paranã e atualmente ocupam a Chapada dos Veadeiros.
Mas ao longo do século XVIII,graças à expansão do bandeirantismo e à catequese jesuíta, estabeleceu-se ampla linha de migração: oriunda do Norte que, via fluvial do Tocantins povoou a porção setentrional de Goiás.
Na primeira metade do século XVIII, ao longo dos caminhos que demandavam a Bahia, mais ao Norte, na bacia do Tocantins, localizaram-se diversos núcleos populacionais entre eles o arraial de Cavalcante.